Com a aproximação do dia 8 de março, data em que celebramos os direitos e a igualdade feminina, somos convidados a uma reflexão que vai além das homenagens superficiais. Como bem disse Simone de Beauvoir, tornar-se mulher é um processo frequentemente "atravessado por expectativas que não foram escolhidas pela própria mulher, mas herdadas". Scripts que Herdamos : Escolhas, opiniões e rotinas muitas vezes não são fruto de um desejo genuíno, mas sim de vivências moldadas por crenças disfuncionais. No consultório, é comum nos depararmos com o sofrimento de mulheres que se sentem obrigadas a seguir padrões rígidos para sentirem que pertencem a uma família, a um casamento ou a um ideal de maternidade. A pergunta que ressoa é: Por que continuar sofrendo e por que não quebrar ciclos que percorrem gerações? O Valor Além do Servir: Historicamente, o valor da mulher foi atrelado à sua capacidade de se sacrificar pelo outro. Essa crença atua como uma barreira, impedindo-a de identificar onde terminam os desejos do mundo e onde começam os seus próprios. A culpa e a autocobrança tornam o "não" uma palavra difícil de pronunciar, quando, na verdade, o limite é uma forma de amor-próprio. Ao resgatar sua autonomia intelectual e emocional, a mulher deixa de ser coadjuvante para redigir a sua própria história. Existe o Mito da "Supermulher" onde a sociedade criou um padrão inalcançável: a mãe onipresente, a cônjuge perfeita, a profissional impecável e a estética impecável. Esse rótulo de "Supermulher" mascara uma realidade de exaustão, impedindo a aceitação de que as imperfeições são inerentes ao ser humano, independentemente do gênero. O autocuidado não é um ato de egoísmo. Ele é a base neurobiológica e emocional para qualquer relação saudável — começando pela relação consigo mesma. Psicologia, Psicopedagogia e Libertação - No contexto da nossa prática clínica, esse entendimento é vital. Compreender como os papéis sociais impactam o desenvolvimento e a aprendizagem das mulheres (e das meninas que elas educam) é um passo fundamental para uma atuação inclusiva e libertadora. Ao quebrar esses ciclos e tratar as dependências emocionais, ajudamos a mulher a acreditar em suas aptidões e a desenvolver uma saúde mental digna. Desta forma, faço um convite para este 8 de Março : Invista em você!!! No seu autoconhecimento. Na sua cura. Acredite nas suas habilidades e não tenha medo de buscar ajuda para desconstruir crenças que já não servem mais ao seu crescimento. Sem culpas e sem cobranças exageradas. Você já é uma grande mulher!!! Feliz Dia das Mulheres!